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Vida Cristã
Semana de Oração pela Unidade dos cristãos
20.01.2017
Chegados, mais um ano, a esta semana (18 a 25 de janeiro), a Igreja convida todos a rezar pela unidade dos cristãos. Todavia, surge-nos a pergunta: em que se fundamenta esta jornada de oração? Nas palavras de Jesus, retiradas do Evangelho de São João: «Haja um só rebanho e um só pastor.» (Jo 10,16)
Fórum Ecuménico Jovem em 2008
O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos fornece, todos os anos, subsídios para utilizar durante esta semana. O tema deste ano é «Reconciliação – É o amor de Cristo que nos impele». Evocam-se os 500 anos da reforma protestante, afirmando que «as pessoas e as Igrejas possam ser impelidas pelo amor de Cristo a viver reconciliadas e a derrubar as paredes da divisão».

O Papa Francisco disse, esta semana, que «na Europa, esta fé comum em Cristo é como um fio de esperança: pertencemos uns aos outros. Comunhão, reconciliação e unidade são possíveis». Aos peregrinos, o Santo Padre disse que o «movimento ecuménico vai frutificando, com a graça de Deus. Que o Pai do Céu continue a derramar as suas bênçãos sobre os passos de todos os seus filhos. Irmãs e irmãos muito amados, servi a causa da unidade e da paz».

Pode parecer-nos estranha esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, até porque se olharmos para a História da Igreja, a começar pelo cisma do Oriente (Séc. XI) que levou à divisão dos cristãos em católicos e ortodoxos, e, mais tarde à Reforma e Contrarreforma (Séc. XVI), que dividiu em protestantes e católicos, vemos que a Igreja Católica sempre mostrou alguma distância em relação a esta divisão, dado Cristo lhe ter confiado o «depósito da fé» e daí ser a verdadeira Igreja.

É interessante notar que o movimento ecuménico nasce no seio da tradição anglicana ao qual se juntaram alguns católicos, até mesmo membros da hierarquia da Igreja. 
Foi Paul Watson que, em 1908, celebrou pela primeira vez esta Semana de Oração. No entanto, convém recordar que, anos antes, em 1894, o Papa Leão XII, no contexto do Pentecostes, encorajava já à prática de um Oitavário de Oração pela Unidade.

É a partir do Concílio Ecuménico Vaticano II, que vemos, por parte da Igreja Católica, uma maior abertura ao tema do ecumenismo. O decreto conciliar Unitatis Redintegratio (UR) é o primeiro pronunciamento do Magistério sobre este assunto. O primeiro começa assim: «Promover a restauração da unidade entre todos os cristãos é um dos principais propósitos do sagrado Concílio Ecuménico Vaticano II» (UR 1). Mais tarde, com o Papa João Paulo II, surge a Carta Encíclica Ut Unum Sint (1995) que tem como objetivo apoiar e contribuir para o esforço de todos aqueles que trabalham pela unidade. Vemos que não tem sido um caminho célere, mas que, todavia, vai produzindo os seus frutos.

Nesta semana, empenhemo-nos, de forma mais vigorosa, em dirigir as nossas orações para a unidade dos cristãos. Procuremos integrar-nos nas diversas atividades que se realizarão nas várias dioceses, nunca esquecendo esta frase de Jesus: «Onde dois ou três tiverem reunidos em meu nome, eu estou no meio deles.» (MT 18, 20)
 
Texto: Alexandre Jardim
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