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Ser conservador ou progressista? Optar por ser presentista
04.02.2019
Como em qualquer grupo social, também nas pessoas da Igreja há orientações diversas. Umas tendem mais para o futuro, o progresso e as novidades; outras sentem-se melhor no que é tradicional, no passado e nos seus valores. É claro que não há mal algum em ser progressista ou conservador, direitista ou esquerdista, aos mais diversos níveis: social, político, desportivo, litúrgico, eclesial...

O fundamental é o equilíbrio, evitando radicalismos populistas, em que se perde a sensatez e se quebra a unidade. Então passa-se para o extremismo de alguém se considerar dono absoluto da verdade, achando ser imperativo combater os que pensam e agem diferentemente.

Que mal há em ser conservador ou progressista? Será pecado ter saudades do passado? Poderá ser criminalizado quem tem ânsias de futuro? Certamente que não. É um dever social e eclesial facilitarmos que cada um e cada grupo seja livre nos seus gostos, tendências e opções. O meu respeito pelos que divergem de mim credibiliza o que penso e escolho. Fazer guerra às diferenças de julgar e de agir demostra a própria insegurança e só cria radicalismos que levantam muros, quando deveríamos todos construir pontes.

Vêm-me estas considerações a propósito de uma certa onda de oposição ao Papa Francisco. Trata-se de um relativamente pequeno grupo, mas que levanta alto a sua voz, como sendo os puros católicos, nostálgicos de um modelo rígido de ortodoxia, de regras e práticas com a solidez dos tempos dos nossos avós.

Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, nem que seja o Rei ou o Papa. Todos temos o direito de gostar muito, pouco ou nada do perfil e estilo de Paulo VI ou de João Paulo II, de Bento XVI ou de Francisco. Mas o mandamento cristão de amar o próximo é vinculativo: «É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.» (Jo 15,12) E a obediência eclesial não pode estar vinculada a gostos, modas ou sim/antipatias. Cristo identifica-Se com a autoridade da hierarquia da Igreja: «Quem vos ouve, a Mim ouve; e quem vos despreza, a Mim despreza.» (Lc 10,16)

As vozes que se têm feito ouvir contra o atual “servo dos servos de Deus” Francisco, dão a sensação de inventar a definição dogmática da sua própria infalibilidade. A infalibilidade antipontifícia que nenhum Concílio poderá definir. Parafraseando Santa Teresa de Jesus, a verdade só pode estar na humildade, e não em acusações retóricas como a do Arcebispo Carlo Maria Viganò, exigindo a demissão do Papa Francisco.

Perante os nostálgicos que querem voltar à Igreja do antigamente ou os que pretendem sonhar utopicamente com o catolicismo do futuro, importa ter a coragem de responder aos desafios do presente. É no hoje que habita Deus; hoje é o Belém em que Cristo nasce; hoje é o Cenáculo do Pentecostes do Espírito Santo. Nem conservadorismo nem progressismo. Presentismo.