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Será que o casamento acrescenta anos de vida aos cônjuges?
24.08.2020
Quando nos casamos e constituímos família, normalmente pensamos que já alcançámos tudo aquilo que desejávamos e esquecemo-nos de que se trata apenas do início da construção da relação enquanto casal. É por isso mesmo que devemos ver o casamento como um grande projeto de vida em comum. Na minha opinião, é uma das experiências mais gratificantes que se pode ter.

Geralmente, e em contexto profissional, um projeto possui três características: tempo (início e fim), recursos (pessoas e estratégias) e trata de algo que ainda não existe. Por outras palavras, é a ideia que se tem, aquilo que se pensa e o que se quer fazer, e como se pondera realizar.

No entanto, se juntarmos duas palavras ao termo projeto – vida e comum –, passamos a falar de projeto de vida em comum. Um conjunto de metas, ideias, estratégias e escolhas. Algo que deve ser pensado em casal, com respostas claras e concisas às questões: «para onde queremos ir?»; «o que é que tencionamos alcançar?»; «como o vamos fazer?»; «qual é o papel que cada um vai ter?»; «o nosso projeto cumpre o propósito que Deus tem para cada um de nós?» Sublinho aqui a necessidade de definir objetivos e ver se estes são ou não cumpridos. O casal, isto é, os dois em equipa vão ter de crescer, apoiando-se um no outro em tudo. O projeto irá, com certeza, mudar ao longo dos anos e vai ter de ser revisto e modificado à medida que a relação for evoluindo, mas o essencial tem de ser preservado.

O que ninguém se lembra de dizer é que o simples facto de o casal ter um projeto de vida em comum aumenta a vida dos próprios cônjuges. «E porquê?», perguntam vocês. Trata-se de algo muito simples, ou seja: a existência de um compromisso incondicional faz com que o casal assuma a vida com maior maturidade. Só os maduros entendem que amar é muito mais dar do que receber. Acredito sinceramente que o amor é a necessidade mais profunda do ser humano e aquela pela qual vale a pena viver; mas, como tudo o que é valioso, exige dedicação, tempo, paciência, respeito e muitas doses de cuidado. Aliás, ser casal significa desistir de algumas coisas para ganhar outras.

Para confirmar esta ideia e recorrendo a estudos realizados, o casamento foi considerado um dos primeiros fatores não-biológicos identificados como capazes de melhorar a esperança de vida dos cônjuges. A explicação dada pelos cientistas (ver Gallacher, J. & D. Estudo realizado na Universidade de Cardiff, British Medical Journal, 2011), foi que «as pessoas casadas tendem a correr menos riscos relacionados com a sua saúde». As perspetivas de longo prazo para a maioria dos casamentos são tidas como otimistas, que aparentam felicidade, interação e muito pouca oposição. Em média, as pessoas casadas vivem mais tempo: «As mulheres casadas têm melhor saúde mental e os homens casados têm melhor saúde física.» Segundo parece, uma vida comum harmoniosa mostra ser o elemento-chave que garante uma melhor saúde, independentemente do grau de educação, da remuneração ou das dificuldades encontradas no trabalho. E é o coração o órgão que mais beneficia com essa harmonia.

A mensagem é clara: se juntarmos estas duas reflexões, de um lado a existência de um compromisso incondicional e do outro uma vida comum harmoniosa, chegamos à conclusão que o casamento é bom para a sociedade e para os próprios cônjuges.
O casal, assumindo o compromisso «juntos para sempre», decide fazer o outro feliz com menos conflitos, mais cumplicidades, maior empatia e compreensão. A relação torna-se mais madura e assente numa segurança mais robusta, permitindo que «vivam felizes para sempre» por muito mais tempo.