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Seremos julgados pelo amor
21.11.2016
No dia 20, solenidade litúrgica de Jesus Cristo Rei do Universo, foi fechada a Porta Santa, símbolo do encerramento do Jubileu da Misericórdia, como ficou expresso, pelo Santo Padre, na Bula Misericordiae vultus, pela qual foi instituído este Ano Santo extraordinário.

Será, talvez, ainda cedo para fazer balanços e tirar conclusões. Não será de mais, no entanto, olhar para o caminho percorrido e constatar factos ocorridos, como nos relata o penitenciário-mor do Santo Padre, o Card. Mauro Piacenza, na entrevista dada em exclusivo à FAMÍLIA CRISTÃ.

Momentos celebrados, experiências vividas e, oxalá, decisões de vida tomadas numa caminhada de conversão que não deve parar, mas prosseguir com o mesmo desejo e determinação subjacentes à proclamação e ao intuito do Papa Francisco referido no n.º 5 da Bula: «Quanto desejo que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus! A todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós.»

Na hora do balanço, a Igreja deverá procurar realçar os momentos celebrativos e os meios pastorais usados cujos resultados tenham dado frutos que se adivinham eficazes e duradouros num itinerário de fé pessoal e comunitário.
Há que ver este tempo como uma oportunidade para compassarmos a nossa vida ao ritmo de Deus. Perante a atitude constante de infinita misericórdia de Deus, «a nossa resposta de amor também não deveria ser entendida como uma mera soma de pequenos gestos pessoais a favor de alguns indivíduos necessitados, o que poderia constituir uma “caridade por receita”, uma série de ações destinadas apenas a tranquilizar a própria consciência», advertia o Papa Francisco na Evangelii gaudium, n,º 180.

A liturgia deste mês questiona-nos, perante a proposta da misericórdia divina – vivida de forma heroica pelos santos –, quanto à forma de concretizar a sua justiça, ou seja, assumindo atitudes e comportamentos inspirados nos de Jesus, que é «manso e humilde de coração» (MT 11,28), respondendo assim à proposta do amor de Deus explicitada no discurso das bem-aventuranças.

Só imbuídos deste espírito saberemos corresponder da melhor forma às solicitações do amor de Deus nas situações que Jesus nos apresenta para sabermos ir ao encontro das necessidades dos mais pequeninos e de os acolhermos, reconhecendo em cada um deles a presença desse amor que nos amou primeiro. Temos, pois, essa graça de conhecer de antemão as perguntas que nos serão feitas no último exame da nossa vida.

«Na tarde da vida seremos julgados sobre o amor», são as palavras do místico São João da Cruz, usadas pelo Pe. Gabriel Amorth, sacerdote paulista falecido recentemente, conhecido pela dedicação ao exercício do ministério do exorcismo, para intitular a sua última obra, lançada pela PAULUS Editora. «O amor será portanto» – refere o Pe. Amorth – «a base da sentença que será emitida sobre a nossa cabeça […]. Este é o coração da vida cristã: a caridade, a misericórdia, o acolhimento. No entardecer da nossa vida apenas permanecerá o suplemento de amor que teremos tido em tudo.»