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Serviços públicos de saúde para todos?
12.02.2019
A Ordem dos Médicos está a redefinir os tempos para as consultas médicas. Dos atuais 15 minutos para até 45 no caso das primeiras consultas e de algumas especialidades. No geral, a ideia é que as consultas passem a ser de 30 minutos. Quinze minutos de consulta pode chegar em alguns casos. Não chegará em muitos outros. Com pessoas idosas ou casos que exijam mais atenção, como conseguir que a pessoa explique o que sente e fazer a observação e o diagnóstico em apenas quinze minutos? Em consultas com crianças só esses 15 minutos podem ser o necessário para tirar a roupa antes da observação. Este tempo de consulta é de tal forma obrigatório que passados os 15 minutos já é tempo de atender outra pessoa. Faz isto sentido? Em nome da produtividade talvez. Mas é para isso que serve o Serviço Nacional de Saúde? Para produzir mais consultas, mais cirurgias? E médicos, enfermeiros e outros profissionais exaustos e a rebentar pelas costuras?

E não sou eu quem o diz. É o bastonário da Ordem à Rádio Renascença que «há um momento na vida em que as pessoas das duas uma: ou querem qualidade ou querem números. Nós temos, definitivamente, na área da saúde, de deixar de estar presos às métricas numéricas e temos de introduzir métricas de qualidade. O maior erro do SNS é estar refém de métricas numéricas.» E as pessoas a quem ele se refere é o Estado, o Governo.

Ao mesmo tempo que isto se passa no SNS, público portanto, assistimos à abertura de clínicas e hospitais privados em todo o país e à proliferação de seguros de saúde. Não tenho nada contra o setor privado. Mas não se pode é desinvestir nos serviços públicos e atrofiá-los, deixando-os apenas para quem não tem alternativa e não pode pagar o privado. Percebo que é difícil assegurar a sustentabilidade dos serviços públicos, mas a preocupação deve ser que eles assegurem cuidados de qualidade a TODOS os cidadãos. Esta semana assinalou-se o Dia do Doente. Na mensagem do Papa, Francisco apela às instituições católicas que não pensem no lucro. Eu acrescentaria que nunca, em lugar algum, público ou privado, se deve olhar para os doentes como fonte de rendimento.