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Vida Cristã
Sete concílios da Igreja
14.12.2016
Os historiadores realçam 21 concílios ecuménicos na história da Igreja. Aqui, vamos destacar apenas sete, evidenciando os seus contextos, os temas principais e os grandes intervenientes. Trata-se de uma pequena amostra da maneira como a Igreja foi crescendo e amadurecendo ao longo do tempo.
 
 
1. CONCÍLIO DE JERUSALÉM (entre 45 e 55)
Este encontro, relatado no Livro dos Atos dos Apóstolos, é considerado por muitos como o primeiro concílio da história da Igreja. Não teve a mesma organização e estrutura que os encontros posteriores. Contudo, serviu para debater a integração dos gentios e a expansão da mensagem de Jesus Cristo ao mundo inteiro. Conduzido por Pedro, teve grande preponderância no debate o grupo dos Apóstolos e os anciãos. Depois de um discurso de Pedro, que se decidiu na integração dos gentios sem impor as práticas judaicas, Paulo e Barnabé testemunharam os seus feitos já realizados entre os gentios. No final, Tiago concluiu as indicações de Pedro e Paulo, dando-lhe o suporte das Escrituras. No final, foi elaborada uma carta apostólica que foi então enviada para toda a Igreja.
 




2. CONCÍLIO DE NICEIA (325)
Foi o primeiro concílio da Igreja após o tempo dos Apóstolos. Curiosamente, foi convocado e presidido pelo imperador romano Constantino, que oito anos antes havia publicado o Édito de Milão, proporcionando a livre profissão de fé dos cristãos. Apesar de tudo, ele não interveio nas discussões. Com a duração de 20 de maio até 28 de julho de 325, no palácio imperial de Niceia, estiveram cerca de 300 participantes. A grande controvérsia debatida foi a heresia de Ário, que defendia que Jesus era um subalterno de Deus Pai, ou seja, a segunda pessoa da Trindade não era Deus. Então, o concílio reformulou o termo omousios – consubstancial – afirmando o Filho como da mesma substância que o Pai. Santo Atanásio foi o grande teólogo deste concílio.
 

3. CONCÍLIO DE CONSTANTINOPLA (381)
Realizado em maio de 381 na cidade que é hoje Istambul, foi convocado pelo imperador romano Teodósio I, o homem responsável por fazer do cristianismo a religião oficial do Império Romano. De acordo com J. Vaz de Carvalho, em História Breve dos Concílios Ecuménicos, apenas estiveram presentes 150 bispos do Oriente. Mesmo o Papa São Dâmaso esteve ausente. As grandes figuras foram o Patriarca Melécio de Antioquia, São Gregório Nazianzeno, patriarca da cidade anfitriã, e ainda São Cirilo de Jerusalém. O tema principal foi o acrescento e a clarificação em relação ao Credo de Niceia da doutrina relativa ao Espírito Santo enquanto terceira pessoa da Trindade. Atualmente, este é o credo que professamos na celebração eucarística, o credo Niceno-Constantinopolitano.
 
4. CONCÍLIO DE ÉFESO (439)
Convocado pelo Papa Teodósio II a pedido do monge Nestório, este encontro visou sobretudo solucionar o problema levantado acerca da natureza divina de Jesus. Com efeito, Nestório concebia Maria como a mãe de Cristo (em grego: Christotokos), e não como Mãe de Deus (Theotokos). No fundo, o monge recusava-se olhar para Jesus enquanto Deus encarnado, mas apenas enquanto um homem a quem Deus fez nele a sua morada. Ora, Cirilo de Alexandria não somente era o representante oficial do Papa mas também aquele que se opôs com maior veemência às teses do monge, e que conseguiu através de uma forte argumentação teológica refutar as teses de Nestório. Conta J. Vaz de Carvalho que o povo de Éfeso, anfitrião do concílio e grande devoto da Mãe de Deus, foi com grande festa que recebeu a notícia das decisões do concílio a favor da Theotokos.
 
5. CONCÍLIO DE CALCEDÓNIA (451)
Poucos anos depois, um outro concílio aconteceu em Éfeso, no qual um abade chamado Eutiques vai afirmar exatamente o contrário do que Nestório afirmava, ou seja, que Jesus Cristo era Deus com aparência humana. Roma não reconheceu este segundo concílio de Éfeso visto que os partidários de Eutiques tinham vencido apenas pela força, ficando o encontro conhecido até como «Latrocínio de Éfeso». Então, novamente um imperador romano, Marciano, convocou novo concílio em Calcedónia, para 8 de outubro. Foi um dos mais concorridos, pois participaram mais de 600 bispos. Condenou-se o que dizia Eutiques, afirmando-se então que em Jesus há duas naturezas, a humana e a divina.
 
6. CONCÍLIO DE TRENTO (1545-1563)
Depois de vários séculos de concílios, Trento é um dos mais importantes e o mais longo da história da Igreja. Terminadas as questões trinitárias, decorreu um período de reformulações e acertos com vários concílios. Porém, dada a separação no interior da Igreja entre, primeiro, a Igreja oriental com os ortodoxos em 1054, a Igreja Protestante, com Lutero em 1530, e por fim, a Igreja Anglicana, com Henrique VIII, em 1534, o Papa Paulo III considerou necessária uma grande contrarreforma. Segundo Hubert Jedin, na obra Concílios Ecuménicos, os temas mais importantes foram a definição dos dogmas católicos e a reforma eclesiástica. Foram formuladas as teses sobre a natureza da revelação divina que está pautada na Tradição e na Sagrada Escritura, assim como foram oficialmente desenvolvidos e definidos os sete sacramentos.

 
7. CONCÍLIO DO VATICANO II (1962-1965)
Convocado pelo Papa João XXIII, o bom papa atualmente canonizado, a sua intenção era abrir as janelas da Igreja para o mundo depois de vários séculos sem uma merecida reflexão acerca de si mesma. Com a presença de mais de 2500 bispos, superiores de ordens religiosas, mulheres e leigos, representantes de outras confissões cristãs e outras religiões, este foi o maior encontro da Igreja e mesmo de qualquer instituição mundial. Com a duração de três anos, o grande tema foi o do entendimento da natureza da Igreja. Dele emanaram duas constituições dogmáticas, uma pastoral e outra conciliar, respetivamente: Lumen Gentium, sobre a Igreja enquanto luz das nações; Dei Verbum, sobre a revelação de Deus; Gaudium et spes, sobre a Igreja enquanto alegria e esperança para o mundo; e, por fim, Sacrosanctum Concilium, sobre a liturgia da Igreja.
Texto: Paulo Paiva
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