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Sínodo: Cardeal Patriarca diz que movimentos «vão trazer» a voz dos excluídos
24.09.2021
O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, revelou que o Patriarcado de Lisboa já arrancou com os trabalhos do Sínodo dos Bispos, com uma primeira reunião preparatória que reuniu «representantes de todas as instâncias colegiais da diocese, a saber, o Conselho Presbiteral, o Conselho Pastoral Diocesano, que representa tudo quanto existe no campo do laicado, das associações, dos movimentos, etc., a assembleia diocesana do Apostolado dos leigos (a respetiva direção), o departamento inter-religioso e ecuménico do Patriarcado» e anunciou que tinha nomeado o Cónego Rui Pedro Carvalho para ser a pessoa de contacto do Patriarcado de Lisboa com a Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, em virtude de ter sido o secretário do sínodo diocesano e ter «uma experiência de sete anos a fazer isto, perguntas, respostas e resumos».

 
Apesar de já ter iniciado os trabalhos, D. Manuel Clemente explica que a abertura oficial do Sínodo só irá decorrer uma semana depois do que está previsto, a 24 de outubro, em todo o mundo, uma vez que nesse dia se celebra a dedicação da Sé de Lisboa, uma festa importante, «e por uma semana não justifica as duas convocações» dos fiéis, explica.
 
O prelado falava no final do lançamento do livro Vida Plena, do Dr. Luís Paulino Pereira, e adiantou que a experiência do sínodo diocesano de Lisboa, que teve início em 2014 e terminou em 2021, poderá ajudar muito neste processo. «Na primeira fase do nosso sínodo diocesano, até 2016, nos grupos sinodais participaram cerca de 20 mil pessoas do Patriarcado, e não vamos deixar de ecoar aquelas que foram as conclusões do Sínodo diocesano, porque há lá propostas que são muito coincidentes com as perguntas que vêm de Roma, e no fundo são o fruto de sete anos de trabalho», afirma.

Um dos maiores desafios do Documento Preparatório é o de ouvir os pobres e excluídos, mas D. Manuel Clemente afirma que os movimentos sociocaritativos da Igreja poderão fazer esse trabalho, porque «trabalham com essas pessoas». «Vejam o que acontece no mundo imenso da população sénior e que vive em lares. Quem é que os ouve? E é uma parte fortíssima da nossa população que geralmente nunca é ouvida. Depois, quem trabalha com os sem-abrigo, com os imigrantes... em todos esses lados há presenças católicas organizadas e vão certamente suscitar essas respostas», garante.
 
Questionado sobre se haveria oportunidade de as pessoas poderem participar, e não apenas os responsáveis de cada movimento, D. Manuel Clemente garantiu que «há várias maneiras de participar, na medida em que a saúde nos permita, há perguntas que estão feitas, há sugestões, vamos fazer isto» porque os responsáveis dos vários movimentos vão «levar isto ao concreto das suas comunidades, vai fazer reuniões, pela internet, presencialmente» num processo que tem de ser «de afogadilho porque Fevereiro está aí à porta, e depois temos de pôr tudo em 10 páginas (risos)».
 
A participação de todos é importante, porque, diz o prelado, «a missão da Igreja é fazer com que tudo aquilo que herdámos do que Cristo disse e fez, continue a ser apresentado agora através de nós, pois foi através de outros que chegou até nós, na nossa família cristã, nos grupos aos quais nos juntamos», mas é uma missão que «não se faz sozinho, faz-se em sínodo, em comunhão, em caminho uns com os outros». «Corresponsabilidade e Missão não são coisas que se possam juntar ou desligar: quando existe uma, existe outra», garante.
 
O Cardeal-Patriarca de Lisboa assume que este Sínodo corre o «risco» de ver muitos dos seus temas abafados para dar lugar a alguns mais polémicos, à semelhança do que sucedeu no sínodo sobre a Família, pois «na comunicação social há um dogma de que a boa notícia não é notícia», lamenta.
 
 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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