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​Sínodo: o elogio das iniciativas e o «medo e reticência» de fiéis e clero
07.02.2022
A Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos fez uma «avaliação inicial» da fase diocesana do Sínodo, que decorre desde outubro de 2021 até agosto de 2022. Apontando como positivo que «98% das Conferências Episcopais e sínodos das Igrejas Orientais de todo o mundo nomearam uma pessoa ou uma equipa inteira para implementar o processo sinodal», não deixa de referir muitos aspetos nos quais o processo não está ainda a decorrer como desejado pelo Papa Francisco.

 
Desde logo, apesar da «miríade de iniciativas para promover a consulta e o discernimento eclesial» que acontecem um pouco por todo o mundo, e que vão dando a conhecer através de uma newsletter e de um site preparado para o efeito, a Secretaria-Geral indica que há «algumas dificuldades», destacando o «medo e a reticência entre alguns grupos de fiéis e entre o clero», assim como «uma certa desconfiança entre os leigos que duvidam que o seu contributo venha realmente a ser tido em conta».
 
Estes responsáveis apontam ainda as dificuldades provocadas por uma consulta sinodal realizada em plena pandemia, que limita «em grande medida os encontros presenciais». «A consulta do Povo de Deus não pode ser reduzida a um simples questionário, uma vez que o verdadeiro desafio da sinodalidade é precisamente a escuta mútua e o discernimento comunitário», refere o comunicado enviado à Família Cristã.
 
Sobre os desafios que o processo sinodal tem levantado, a Secretaria-Geral do Sínodo refere que é preciso encontrar «novas formas de melhorar a participação dos jovens», criticando ainda o que chamam ser «a desorientação manifestada por alguns membros do clero», que, em alguns países, se tem manifestado contra ou mesmo indicado não pretender participar no processo sinodal, como sucedeu com a diocese de Vaduz, no Principado de Liechtenstein, que assumiu publicamente que não iria participar, assim como apontando o dedo para o não envolvimento daqueles que vivem à margem das instituições da Igreja».

foto ©synod.va
 
O comunicado enviado sustenta que há «incertezas que devem ser afrontadas» e que deve ser evitada a «autorreferência nas reuniões de grupo porque a escuta mútua, que encontra o seu fundamento na oração e na escuta da Palavra de Deus, só pode levar à abertura aos outros na ótica do anúncio do Evangelho» e reconhece a necessidade de «formação, especialmente na escuta e discernimento, para que o Sínodo seja autenticamente um processo espiritual e não seja reduzido a um debate parlamentar».
 
A concluir este primeiro ponto de situação feito pela Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos, esta informa que irá preparar uma Nota para explicar como devem ser elaborados os relatórios de síntese que devem ser enviados pelas dioceses e grupos para Roma.

Em Portugal, o Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), reunido em Fátima, debateu o andamento do Sínodo 2021-2023, convocado pelo Papa, que decorre nas dioceses até 31 de maio, e através do seu porta-voz, o Pe. Manuel Barbosa, destacou o trabalho de «entusiasmo» e seriedade, na escuta de todos, «mesmo aqueles que não andam nos espaços habituais dos ambientes eclesiais», segundo declarações publicadas pela Agência Ecclesia.


NOTA: Artigo atualizado às 18h47 de dia 8 de fevereiro com declarações do Pe. Manuel Barbosa, porta-voz da CEP.
 
Texto: Ricardo Perna
 
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