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Sínodo: Oração e reflexão marcam início dos trabalhos, de Roma para o mundo
08.10.2021
Tem início amanhã, sábado, dia 9, o Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade. Esta iniciativa do Papa Francisco durará até outubro de 2023, altura em que bispos de todo o mundo se deslocarão ao Vaticano para a reunião que irá concluir todo o processo sinodal que agora se inicia.

 
O evento há muito aguardado pretende ser um processo de reflexão e discernimento sobre a Igreja e o seu futuro, conforme indicou o cardeal Jean-Claude Höllerich, relator-geral do Sínodo, em entrevista à Família Cristã e Agência Ecclesia. «É preciso encontrar uma forma de tomar decisões na Igreja em que os cristãos estejam verdadeiramente envolvidos, a fim de se poder caminhar, porque há pessoas que não querem caminhar, querem sentar-se e permanecer lá onde se encontram; outros, correm à esquerda ou à direita, mas a Igreja para poder caminhar tem de ser em conjunto», referiu.
 
Neste sentido, deu-se início a um processo original na forma como irá ser conduzido, embora não propriamente inédito, conforme nos explicou o relator-geral do Sínodo. «Não é efetivamente apenas um primeiro exercício: já tivemos, por exemplo, o Sínodo dos jovens, do qual fiz parte, um pré-sínodo, (...) e também houve inquéritos feitos em universidades católicas, etc. Portanto, estes elementos sinodais já entraram em uso, e depois veio o Sínodo especial para a Amazónia, no qual tive a sorte de participar, e foi toda uma rede que preparou este sínodo», explicou.
 
O processo tem então início amanhã, sábado, com um momento de oração conjunta que reúne, com o Papa, mais de 200 membros de organismos internacionais de bispos, delegados de vida consagrada e movimentos laicais, membros da Cúria Romana e do Conselho Consultivo dos Jovens, criado após o Sínodo de 2018.
 
A oração é, aliás, um dos aspetos mais marcantes deste processo sinodal, marcado pela eucaristia de domingo, presidida pelo Papa, e pelas eucaristias em todas as dioceses de todo o mundo, na semana seguinte, que darão início à fase diocesana.
 
Também em Portugal, essa fase diocesana começará a partir de 17 de outubro. D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa, já afirmou à Família Cristã que a participação de todos é importante, porque, diz o prelado, «a missão da Igreja é fazer com que tudo aquilo que herdámos do que Cristo disse e fez, continue a ser apresentado agora através de nós, pois foi através de outros que chegou até nós, na nossa família cristã, nos grupos aos quais nos juntamos», mas é uma missão que «não se faz sozinho, faz-se em sínodo, em comunhão, em caminho uns com os outros». «Corresponsabilidade e Missão não são coisas que se possam juntar ou desligar: quando existe uma, existe outra», garante.
 
Já o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Pe. Manuel Barbosa, afirmou, em declarações que pode ler na edição da Família Cristã de outubro, que a expetativa para este processo é «boa». «É uma forma de a Igreja se renovar, não só em si mesma, nos seus espaços, mas também na abertura e inserção na sociedade, numa linha de evangelização, como pede o próprio título», disse o porta-voz da CEP.


 
Momento de oração e eucaristia no domingo
O Papa preside este sábado à sessão de abertura da 16ª assembleia geral do Sínodo dos Bispos. Os trabalhos de sábado começam com a entronização da Palavra de Deus, numa procissão em que o jovem português Rodrigo Figueiredo, membro do Conselho Consultivo dos Jovens, vai transportar o Evangelho.
 
As primeiras intervenções estão a cargo da teóloga espanhola Cristina Inogés e do jesuíta Paul Béré, do Burquina-Faso, antes do discurso do Papa Francisco, que está previsto durar 25 minutos.
 
Seguem-se o cardeal Jean Claude Hollerich, relator-geral do Sínodo 2021-2023, e o cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo. Os mais de 200 participantes nesta sessão vão ouvir testemunhos de leigos, religiosos e bispos, além de uma saudação do irmão Alois, prior da comunidade ecuménica de Taizé.

Por esta porta, entrarão todos os participantes na cerimónia de abertura do Sínodo que decorrerá na Aula Nova do Sínodo. 
No domingo, o Papa preside à Missa que inaugura oficialmente o processo sinodal deste biénio, a partir das 10h00 (menos uma em Lisboa), na Basílica de São Pedro.
 
Simbolicamente, a procissão de entrada conta com a presença de um grupo de 25 pessoas «representando todo o povo de Deus e os diferentes continentes», informa a Santa Sé.
 
A Secretaria do Sínodo dos Bispos é auxiliada no seu trabalho por várias comissões para a assembleia geral de 2023, com a presença de religiosas e teólogas da África do Sul, Alemanha, Austrália, Burquina-Faso, Estados Unidos da América, Espanha, Filipinas, França e Singapura.
 
A Comissão Metodológica vai ser coordenada pela irmã Nathalie Becquart, subsecretária do Sínodo dos Bispos e a primeira mulher com direito a voto nestas assembleias.
 
Além desta estrutura, o Sínodo tem uma Comissão Teológica, uma de Espiritualidade e outra de Comunicação, onde estão presentes dois portugueses: o Pe. Paulo Terroso, diretor do Departamento de Comunicação da Arquidiocese de Braga e administrador do ‘Diário do Minho’; e Leopoldina Reis Simões, profissional de assessoria de imprensa, relações públicas e comunicação.
 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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