Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Somos o caminho para o Natal
20.12.2021
O Natal está enraizado na nossa cultura, porém hoje existe um contexto social e cultural que faz esquecer o seu verdadeiro significado. Por isso, o Natal como uma festa sem o conteúdo cristão torna-se vazio, sem intensidade, verdade e novidade. É como se se preparasse uma festa de aniversário e se esquecesse do festejado!

«O caminho de Belém», escreveu o Card. Angelo Comastri, «está obstruído por muitos detritos: orgulho, egoísmo, indiferença e violência. É preciso limpar este caminho. Mais ainda: é preciso que nós, cristãos, nos tornemos o caminho que conduz a Belém» (do livro italiano Tu scendi dalle stelle… ed è Natale, Edizioni San Paolo).

Fiquei a pensar nestas palavras e percebi que muitas vezes nós, os cristãos, no que toca à fé, somos como os sinais da estrada: damos indicações, mas não saímos do lugar. E o que o cardeal Comastri nos diz é que nos devemos tornar o caminho, que através da singeleza e da humildade, da hospitalidade e da alegria, é possível fazer transparecer Deus nas nossas vidas e o mistério do Natal. Mas como? Ele mesmo dá-nos alguns exemplos concretos a partir da oração, da Eucaristia e de Nossa Senhora. Aqui gostaria de partilhar três desses testemunhos de vida convosco.

O primeiro é o de um jovem recluso na prisão de Roma, onde o cardeal era capelão, que lhe disse a chorar: «Recuso o Natal porque me faz sofrer muito. O Natal, que é a festa da família, lembra-me em cada ano que eu não tenho família. Sou filho de uma prostituta. Não conheço o meu pai. O meu nascimento foi um acidente de percurso. Mas eu continuo a necessitar de uma mãe, de uma carícia, de uma voz doce que me chame “filho”.» Diz o cardeal que naquele momento apenas lhe conseguiu dar um abraço e na noite de Natal suplicou a Nossa Senhora que fizesse o Sérgio sentir-se filho amado por ela!
O segundo exemplo é a conversão do famoso diplomata e escritor francês Paul Claudel, que aconteceu precisamente no dia 25 de dezembro de 1886, na Catedral de Notre-Dame, em Paris. Tinha ele 18 anos, mas considerava-se ateu (apesar da mãe ser de uma família católica e muito praticante). Ele mesmo conta que naquele momento aconteceu algo que passou a dominar toda a sua vida: «Num instante o meu coração foi tocado e eu passei a acreditar. Acreditei com tal força, com uma elevação do meu ser, com uma enorme convicção, com uma certeza que deixou de haver lugar para qualquer espécie de dúvida acerca de Deus, dentro de mim. E desde então, nenhum raciocínio, nenhuma circunstância da minha vida agitada pode abalar a minha fé ou retirar-ma.»

O terceiro é o do filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre que, num campo de concentração nazi, escreveu sobre a admiração de Maria diante do Filho de Deus nos seus braços: «Este Deus é meu filho. Esta carne divina é carne da minha carne. Os seus olhos são como os meus e a sua boca tem a forma da minha. Assemelha-me. É Deus e assemelha-me. Se eu fosse pintor, pintaria Maria naquele momento com uma expressão de audácia ternurenta e tímida ao mesmo tempo, com o dedo a tocar delicadamente a pele do Deus-Menino ao mesmo tempo que sente o seu peso sobre os seus joelhos e Lhe sorri.» Sartre, sendo ateu, através destas palavras, consegue dar-nos uma síntese maravilhosa do mistério do Natal pelo olhar de Maria.
Bom caminho de Advento e Santo Natal!