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Susana Vaz: «Estou ali para a acolher como está»
05.06.2020


Susana Vaz começou a ser voluntária na Associação Mais Proximidade Melhor Vida, em Lisboa, há cinco anos. «O que fazemos é estar uma hora com alguém, estamos ali para o ouvir, para fazer com ele o que ele tem vontade de fazer, se for conversar é só conversar.» Quando o país ficou em casa, as visitas presenciais dos voluntários aos idosos também deixaram de se realizar. Mas não podiam ser deixados sozinhos, nesta altura em que mais precisavam. «A associação lançou-nos o desafio de podermos continuar o voluntariado telefonicamente. Telefono uma vez por semana à pessoa com quem estava: ver como está, o que tem feito, como está a viver esta situação, quais as dificuldades que tem. Acompanhando à distância, mas sabendo como está.» Susana liga numa altura da semana e o colega voluntário noutra, assim «a senhora tem pelo menos dois telefonemas por semana». Estes idosos estão muito sozinhos. «Estas pessoas acabam por falar connosco coisas que não falam com ninguém. Connosco têm a liberdade de dizer tudo aquilo que pensam, que têm, sem qualquer julgamento, porque sabem que não fazemos juízos de valor. É uma relação de proximidade tal que estamos ali para acolher as pessoas como são, com todas as dificuldades que têm, com tudo o que viveram ao longo da vida, e sem termos um vínculo que nos permita criar barreiras… Só estou ali para a acolher e como está neste ponto da vida dela, é muito aceitar tudo isto sem mais nada.»
 
Entrevista, texto, edição: Cláudia Sebastião
Fotos: António Miguel Fonseca