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Tecnologia na escola: radicais ou conservadores?
06.01.2020
Tal como em todos os outros âmbitos, também na escola a tecnologia tem vindo a ocupar o seu espaço. Afinal, os estudantes de hoje pertencem a uma geração digital. Nasceram e cresceram a ter acesso a uma grande quantidade de informação – seja ela em linguagem escrita, oral, visual ou digital – facilmente partilhada e transformada em novos conhecimentos.
Já desde o tempo dos Diálogos de Platão que se vai filosofando sobre a educação dos jovens. Mas a pergunta continua a imperar: afinal, que tipo de estudantes estamos nós a criar?

Ao longo destes últimos anos tem-se vindo a falar em inovar e modernizar a escola. E as posições extremam-se.
De um lado, encontramos uma fação mais radical, que advoga que o ensino meramente expositivo, no qual o professor apenas está comprometido com a transmissão de conhecimentos técnico-científicos, pertence ao passado. E, por isso mesmo, todo o sistema educativo deveria ser reformado. Consideram que seria uma grave irresponsabilidade não assimilar as contribuições da revolução tecnológica, de forma a avançar na melhoria dos sistemas educativos e na democratização da informação e do conhecimento.

De outro, uma fação mais conservadora, que acha que a distância entre as expectativas e a realidade ainda é grande. Realidade que se baseia nas limitações que a atual configuração do sistema educativo, a organização das escolas e as práticas de ensino-aprendizagem em sala de aula apresentam. Assim, propõem mudanças que sejam realmente viáveis, disponíveis para todos, que simplesmente procurem melhorar a experiência de aprendizagem dos alunos. Para este grupo, a tecnologia ao serviço da aprendizagem é um meio e não um fim.

E nós, em que posição nos colocamos? Somos radicais ou conservadores?

Bem, para vos dizer a verdade, eu partilho as ideias das duas posições. Para mim nem tudo é preto e branco, é cinzento. Tem de prevalecer o equilíbrio. Tecnologia sim, mas quanto baste. Quer isto dizer que, à medida que caminhamos nos níveis de escolaridade, também devemos caminhar na utilização das tecnologias. Nem tudo deve ser trabalhado digitalmente. Não faz muito sentido alunos do pré-escolar e dos primeiros anos do 1.º ciclo usarem tablets e laptops, afinal uma das finalidades de estarem na escola é aprenderem a socializar. Até porque muitos profissionais, educadores e professores já alertaram que as crianças, devido a certos hábitos tecnológicos de abuso, não estão a desenvolver os músculos dos dedos da mesma maneira e na iniciação à escrita sentem alguma dificuldade em segurar o lápis. No entanto, a incorporação das novas tecnologias na comunidade universitária já deverá ser vista como um suporte básico de todo o processo de aprendizagem.

Uma coisa é certa, não nos podemos esquecer que o centro de ação da escola são os valores e os saberes. Dito de outra forma, a escola precisa de uma educação integral apoiada nas novas tecnologias, que promova o espírito crítico, a reflexão, a autonomia e a criatividade, que desenvolva não só a capacidade mental, tal como a educação tradicional faz, mas todas as dimensões do homem, e que procure também desenvolver princípios e valores éticos, atitudes e comportamentos de respeito e solidariedade, que procure novas maneiras de resolver os problemas, que desenvolva o olhar educativo para a formação harmoniosa e integral da pessoa, no fundo, que promova mudanças favoráveis para o crescimento de cada estudante, como pessoa única e irrepetível que é.

É inegável que a tecnologia mudou o mundo dos nossos estudantes. Contudo, acredito que a escola precisa de evoluir, sem perder o que tem de bom. E claro que isto é assim porque as necessidades de aprendizagem são distintas das épocas passadas. Esta é a realidade de hoje.