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Tempestade Ana: Bispo de Tete preocupado com população
27.01.2022
O bispo de Tete, D. Diamantino Antunes, província de Moçambique que está a ser mais afetada pela tempestade Ana, disse hoje à Família Cristã que a situação não é ainda de calamidade, mas as tempestades esperadas para os próximos dias podem piorar a situação já difícil. «O problema é se outras tempestades se formarão, porque os solos já estão saturados de água, o caudal dos rios é muito grande e isso pode criar uma situação de cheias mais generalizadas que atingirão mais população, e isso poderá ser uma situação de calamidade», refere o prelado português, que se encontra em Portugal, mas a acompanhar tudo o que se passa no terreno.

 
A pior situação, de momento, está a ser vivida na idade de Tete, onde o rio Rovubwe transbordou e deixou bairros inteiros completamente inundados. Ao contrário de 2019, no ciclone Idai, o facto das inundações terem acontecido durante o dia permitiu salvar vidas. «Graças a Deus, as inundações aconteceram durante o dia, ao contrário de 2019, no Idai, e houve possibilidade das pessoas se retirarem a tempo. Não retiraram os seus bens materiais, mas pelos menos houve menos mortes», refere D. Diamantino.
 
Uma das pontes mais importantes de acesso à cidade de Tete foi cortada a meio, o que inviabilizou o acesso à cidade a partir de Moatize. As estradas cortadas são, aliás, umas principais preocupações, conta o bispo de Tete. «A questão são sempre as estradas que ficam danificadas, pontes que caem e impedem a circulação de pessoas e bens. Infelizmente, a situação vai perdurar, e nas próximas semanas é previsto formarem-se mais tempestades», lamenta D. Diamantino.
 
Fora da cidade, os danos nas estradas e as inundações têm provocado o isolamento de muitas comunidades. «O sul da província de Tete, em Mutarara, que é planície do rio Zambeze, está isolada e os acessos estão cortados, as pessoas tiveram de se retirar de suas casas e das suas propriedades», conta o bispo português, que acrescenta que também recebeu relatos de danos em algumas missões católicas, nomeadamente provocados pelo vento. «Houve danos causados pelo vento, telhados que voaram, recebi fotos de duas ou três missões que foram danificadas pelo mau tempo», alertando que não tem notícias das missões de Inhamgoma e Charre, «pois não há comunicações para lá, é difícil saber a situação atual».

 
D. Diamantino Antunes não acredita que, para já, seja necessária intervenção externa na ajuda às populações. «Já foi feito um levantamento dos desalojados, das necessidades, ontem houve reunião ao nível da província de Tete, onde participou também a Igreja, onde foi feito um apelo para ajudar as pessoas que estão sem casa», revela o prelado, que adianta que «foram disponibilizados espaços, escolas e espaços da Igreja, e alimentação e vestuário para socorrer as pessoas que perderam os seus bens».

O bispo de Tete cedeu alguns vídeos que mostram como está a situação no terreno:



 
Texto: Ricardo Perna
Fotos: Cedidas por D. Diamantino Antunes
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