Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Ter filhos e irmãos promove competências de liderança
23.03.2018
Ser pai e mãe é uma vantagem para as empresas e não o contrário. É o que indica uma investigação realizada por Cláudia Dias, no âmbito do mestrado em Psicologia. O estudo conclui que «nas três empresas, os trabalhadores afirmam sentir enriquecimento família-trabalho». Além disso, «sugere que o exercício de uma parentalidade positiva está associada a uma liderança positiva». Daí que Cláudia Dias defenda a «vantagem de contratar pessoas que tenham filhos, especialmente para cargos de chefia». Ao mesmo tempo, sugere-se às empresas que invistam no enriquecimento família-trabalho e não apenas na conciliação entre estes dois campos. Outro estudo foi feito sobre a importância dos irmãos. Carolina Henriques concluiu que «quando a relação entre os irmãos é positiva o funcionamento de equipas é sempre potenciado e gera competências fundamentais para gestão de equipas». Esta aluna conluiu também que «alguém que se dá mal com os irmãos dá-se mal com a equipa, mas cumpre as tarefas». Carolina explica que «quando a relaçáo é boa ou má afeta o desempenho do colaborador através do funcionamento das equipas.

Ambos os estudo foram realizados em três empresas, duas grandes e uma pequena e média. foram realizadas sessões de focus group, questionário de avaliação de competências e um questionário online.

Carolina Henriques e Cláudia Dias (da esquerda para a direita)

Na mesa redonda sobre o tema «Ter filhos: vantagens organizacionais», Isabel Marques, responsável de Recursos Humanos da EDP Distribuição afirma que «obviamente ser pai ou mãe é uma oportunidade de crescimento». Mas defende que «será redutor dizer apenas que eu devo poder recrutar alguém porque teve uma experiência familiar diferente do outro». Isabel Marques acredita que «existem muitas outras maneiras de adquirir estas competências». Pedro Ramos, da TAP, concorda. «Uma coisa é certa: gosto especialmente de pôr isto de forma muito pragmática de que competências é que os nossos líderes têm de ter, se vêm com a família ou não é secundário.» Pedro Ramos, que estudou as competências de liderança no seu doutoramento , reconhece que «nunca me passou pela cabeça que as competências familiares podiam ter influência no trabalho». Desde que foi convidado para participar, diz ter estado mais atento aos gestores que admira e ver se eram pais e que tipo de pais.

Peter Villax, das Empresas Familiares, afirmou que «ter filhos é um dom, é uma riqueza absolutamente extraordinária» e «uma pessoa feliz é um bom gestor e sobretudo para ser um gestor justo».



Empresas perdem dinheiro
Carlos Maio, da consultora Quasar, foi parceiro de investigação. «A imagem que tentámos transmitir foi a vantagem de ter uma boa relação família empresa. Em vez de lhes explicar qual o enriquecimento família-trabalho, vou tentar explicar-lhes o que a empresa pode enriquecer», afirmou. As conclusões do estudo ajudaram a cimentar esta ideia. «Para nossa alegria, verificou-se que conseguimos dizer às empresas: vocês estão a perder dinheiro por não terem estas políticas de integração familiar. E tem que ver com competências. Se conseguirmos reter competências melhor é para a empresa. Acabámos por dizer às empresas: “Têm competências perdidas por vocês porque não investem na integração família trabalho.”»

Todos estes participantes da mesa-redonda têm filhos e admitem que ganharam competências como resiliência, saber ouvir mais do que falar e gestão de prioridades que utilizam nas suas funções de lideranças nas empresas em que trabalham. Mas negam que ser pai ou mãe seja mais valorizado do que o contrário. Todos dizem que contratam e procuram os melhores, sejam ou não pais. 

Ter irmãos também é positivo
Carolina Henriques estudou se ter irmãos também tem vantagens organizacionais. O estudo «evidencia, por exemplo, que a relação positiva entre irmãos está relacionada com um melhor desempenho das tarefas em equipa e com uma melhor relação com os colegas de equipa». A aluna concluiu também que não é só apoiar a natalidade, mas também no número de irmãos. «Não é só dar possibilidade de ter filhos, mas que esses filhos tenham irmãos», afirma. 
 
Reportagem e fotos: Cláudia Sebastião

Ouça a entrevista às duas alunas da Faculdade de Psicologia de Lisboa.


Continuar a ler