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Ucrânia: como ajudar?
02.03.2022
Por todo o país sucedem-se vígilias de oração e recolha de bens para enviar para as fronteiras com a Ucrânia e ajudar os que fogem da guerra. Há outras campanhas em curso. A Fundação AIS lançou um apelo de donativos. Félix Lungu, da Fundação AIS, afirma que a organização «prometeu um milhão de euros para apoiar as comunidades religiosas, irmãs, padres, leigos, toda esta estrutura que está com o seu povo, para não abandonar as pessoas e apoiar as pessoas que estão na situação de guerra». «Queremos que sejam sinal de uma presença diferente, de poderem ajudar com os bens de primeira necessidade que podem ajudar. Queremos ajudar para ficarem junto do seu povo», explica. Os relatos dão conta de «padres que tiveram de abrir a casa paroquial e as igrejas que servem como bunkers para a população. As religiosas além da ajuda excecional que é a oração e a presença, também tivemos testemunhos de relatos em que abrem o seu convento, põem à disposição os bens de primeira necessidade, comida, água, cobertores. E mais na parte onde há vagas de refugiados, temos recebido relatos de religiosas que abrem os seus conventos para os acolher».

Mosteiro capuchinho em Kiev acolhe deslocados.

O arcebispo de Lviv, D. Mieczslaw Mokrzycki, traça o cenário atual: «Estamos dispostos a acolher as pessoas nas igrejas, a dar-lhes comida e água. Organizámos cursos de primeiros socorros para sacerdotes, religiosos e leigos para cuidar dos feridos em caso de necessidade.» No imediato a fundação pontifícia aprovou ajuda de emergência de um milhão de euros para apoiar 4879 padres e 1350 religiosas que vivem na Ucrânia e que estão a acolher pessoas em mosteiros e igrejas.
 
Adoração no abrigo da paróquia de Santo António em Kiev. (AIS)

Outro relato, tornado público pela Fundação é o do Pe. Pauline Roman Laba, de Bowary, subúrbio de Kiev. «Muitas pessoas vieram à paróquia à procura de ajuda e abrigo, e por isso criámos instalações de emergência na cave do nosso mosteiro e na inacabada igreja do mosteiro». «Neste momento, temos cerca de 80 pessoas connosco, incluindo membros da paróquia e pessoas de edifícios circundantes», explicou, pedindo orações. Numa aldeia perto de Mariupol, o Irmão Vasyl afirma que «vamos ficar e ajudar as pessoas a sobreviver a esta situação».

O Pe. Pauline conta que «algumas pessoas vieram até nós para se confessarem pela primeira vez na vida» e «pessoas mais velhas e doentes pedem-nos para irmos ter com elas para as ouvirmos em confissão. Querem estar prontas para a morte…»
 
Para colaborar com esta campanha de recolha de fundos, pode ir à página de internet dos donativos e escolher o valor com que quer contribuir https://www.fundacao-ais.pt/pt/go/donativo.
 
Na Ucrânia, as duas organizações Cáritas trabalham sem cessar.

Também a Cáritas Portuguesa enviou no imediato, na semana passada, 20 mil euros. No entanto, foi aberta, com o apoio da Conferência Episcopal Portuguesa, uma campanha de apoio à população da Ucrânia. O dinheiro «tem como objetivo reforçar a capacidade de resposta da Cáritas na Ucrânia, nos países fronteiriços e o eventual acolhimento a famílias deslocadas em Portugal». Rita Valadas, presidente da Cáritas Portuguesa, afirma que «tomamos esta medida de urgência face ao pedido de ajuda que nos chega da Cáritas Ucrânia, que tem intensificado a sua resposta junto da população e cujas necessidades aumentam diariamente». Esse apoio tem sido «em alimentos, medicamentos e abrigo, mas também da urgência de responder à situação dramática de milhares de pessoas deslocadas e que necessitam de ajuda imediata».

Na Ucrânia, há duas organizações Cáritas. Os dois responsáveis estiveram numa conferência de imprensa promovida pela Caritas Internationalis. O Pe. Vyacheslav Grynevych, diretor da @CaritasSpes, afirma que «o invasor está a destruir as nossas cidades, creches, casas particulares, mas o agressor não é capaz de destruir nosso desejo de paz e liberdade. Por favor, mantenha-nos nas suas orações!». O sacerdote explica que «estamos todos comprometidos de forma corajosa em continuar a apoiar as pessoas que precisam da nossa ajuda. Neste momento estamos a fornecer alimentos, a distribuir medicamentos e a dar apoio médico e a conduzir as crianças para lugares seguros. Estamos neste momento a providenciar apoio a cerca de 1800 pessoas.»

Tatiana Stawnychy, presidente da Cáritas Ucrânia, salienta que «cada dia traz algo novo, algo diferente. Ainda esta manhã houve um bombardeamento que atingiu infraestruturas civis e um centro de acolhimento nosso parceiro foi atingido, felizmente conseguimos que todos estivessem em segurança».  



A Cáritas Ucrânia tem 25 centro de acolhimento que fornecem alimentação quente, água e abrigo. Tatiana Stawnychy salienta também a necessidade do apoio psicológico que terá de manter-se, porque «impactos desta guerra vão prolongar-se muito para além da sua duração».

A Cáritas Portuguesa está a participar no apelo de emergência da Caritas Internationalis para apoiar cerca de 13 000 pessoas em vários pontos da Ucrânia.  Para colaborar, pode fazer o seu donativo no Multibanco preenchendo 222 (entidade) 222 222 222 (referência), através de transferência bancária para IBAN: PT50.0033.0000.01090040150.12 ou online em https://caritas.pt/ucrania/.

Há outras organizações das Nações Unidas com campanhas de recolha de fundos abertas, como a Unicef (https://donativos.unicef.pt/campanha/emergencia-ucrania/) .
Texto: Cláudia Sebastião
Fotos: Fundação AIS e Cáritas Ucrânia

Ouça a entrevista com Félix Lungu, da Fundação AIS em Portugal:


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