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Um guia para responder aos desafios pastorais da pandemia
05.01.2021
A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) divulgou no início do ano a reflexão «Desafios pastorais da pandemia à Igreja em Portugal», com 53 pontos, sublinhando a necessidade de uma cultura de proximidade e de novas vizinhanças.

 
O documento, aprovado a 13 de novembro de 2020, na Assembleia Plenária da CEP, defende maior participação junto das famílias, dos jovens e no mundo digital. É um texto que se segue a outros já publicados pela CP durante o ano de 2020 sobre esta temática, nomeadamente o documento “Recomeçar e Reconstruir – Reflexão da CEP sobre a sociedade portuguesa a reconstruir depois da pandemia Covid-19”, aprovado a 16 de junho do último ano.
 
Os bispos defendem que «a nossa sociedade precisa de uma Igreja que seja “hospital de campanha” pronta a socorrer, a cuidar, a abrigar, como já o foi em tantos momentos de crise», uma «mãe de todos e casa para quem a procura».
 
Para isso, defende não apenas uma maior integração e cuidado de todos, particularmente dos mais idosos e vulneráveis, mas também a passagem de «uma pastoral familiar de eventos para uma pastoral de processos». «Não se podem preparar atividades em gabinete esperando que as famílias adiram. Precisamos de uma pastoral “com” as famílias», refere o documento.
 
Os bispos acusam «certas ideologias» de induzirem os cristãos a uma vivência da «vida espiritual de forma cada vez mais privada», e defendem que é preciso ir ao encontro destas pessoas.
 
No que toca a propostas, o documento fala de como aproveitar os meios digitais como «contributo pastoral subsidiário». «Pensamos na preparação das famílias para os sacramentos do matrimónio e do batismo, dois momentos fundamentais para lançar bases ou consolidar a Igreja doméstica do próprio lar. Na dificuldade de várias reuniões presenciais, algumas – talvez a maior parte – poderiam ser por meios telemáticos», referem.
 
Para além disto, deixam uma sugestão para o retomar do serviço de acolhimento para além dos tempos de pandemia, como era habitual em tempos idos. «A pandemia mostrou a importância dos grupos de acolhimento na Eucaristia e a necessidade de recuperar o tradicional serviço dos “ostiários”, acolhendo e saudando as pessoas em nome da comunidade, dando indicações e encaminhando-as para o respetivo lugar nos espaços celebrativos», e é neste sentido que sugerem que o mesmo acolhimento seja «retomado e alargado a outros momentos, para além da Eucaristia». «Saber acolher é uma arte que evangeliza», defendem.
 
Em várias partes do documento é referida a ideia de a Igreja «sair» ao encontro dos outros, de forma nova e «criativa». «Não basta a atitude cómoda de ficar à espera que as pessoas venham até nós. A paróquia é “extroversa” por natureza, ou seja, está atenta e “em saída”, vai onde se sente necessária», sustentam, com a convicção de que «passar de uma pastoral de manutenção a uma pastoral missionária é uma conversão que vai durar o seu tempo».
 
O que os bispos defendem é o assumir de caminhadas sinodais nas paróquias e movimentos, que congreguem todos os cristãos nos processos de decisão sobre o que é importante para as suas comunidades. «Oxalá por todo o lado – das dioceses às paróquias, dos movimentos aos consagrados, do simples fiel aos professores, teólogos, eclesiólogos ou pastoralistas – se iniciem percursos sinodais de escuta prolongada, autênticos laboratórios de reflexão em ordem a uma “nova etapa da evangelização”». Caminhos que poderão «envolver mulheres e homens de boa vontade e lançar, em conjunto, itinerários imbuídos de amor solidário para não abandonar ninguém pelo caminho».
 
Outro dos aspetos novos é a importância de integrar os jovens nas estruturas e dinamismos paroquiais, também tendo em vista a Jornada Mundial da Juventude de 2023 que irá acontecer em Lisboa. Os bispos referem que, durante a pandemia, «para vários serviços e onde lhes deram oportunidade, os jovens foram fundamentais e adaptaram-se de imediato: no acolhimento e higiene, nos lares de idosos, na comunicação, no uso das novas tecnologias, na proteção da natureza, etc. Muitos se ofereceram para ajudar na catequese, “porque tinham jeito para as tecnologias”, diziam os mais velhos».
 
Neste sentido, os bispos pedem que não se perca este contributo, pois, sustentam, «sem a escuta atenta dos jovens, sem a sua visão da Igreja e do mundo, não haverá adequada renovação e conversão pastoral». «O domínio do digital dá-lhes uma forma nova de ver a realidade. Além disso, são peritos na abertura à novidade, ao diferente, às pessoas e aos povos. Com eles a fraternidade é mais possível. Nasceram já numa cultura de grandes preocupações ambientais e defesa da natureza», pode ler-se no documento.

 
Texto e foto: Ricardo Perna
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