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Uma geração à espera de um Sínodo
15.10.2018
Terminou hoje a segunda de três partes o Sínodo dos Bispos que decorre em Roma. De escutarem os jovens e as suas realidades e de refletirem sobre como poderão elas ser enquadradas na visão que a Igreja tem do mundo, o Sínodo vira-se agora para a terceira parte do Instrumentum Laboris, o documento de trabalho que orienta o Sínodo: escolher «percursos de conversão pastoral e missionária». E é aqui que tudo se vai decidir.

Até esta altura, as declarações que têm saído da parte dos participantes apontam para uma escuta atenta das realidades dos jovens e daquilo que eles pedem à Igreja. Algo que é muito elogiado, mas que, na prática, de pouco serve aos jovens e, em última análise, à Igreja, se não for acompanhado de algo mais.

Os momentos de escuta dos jovens são, felizmente, muito dinamizados um pouco por todo o mundo, mas muitos servem apenas para este propósito que fica bem anunciar de que a Igreja se interessa por aquilo que os jovens têm para dizer. No entanto, é muito frequente ouvir depois, da boca desses jovens, o desabafo de que, afinal, de nada adiantou falar, porque nada mudou. Quantos jovens não disseram já aos seus párocos que precisam de uma linguagem que os mantenha atentos na homilia, apenas para verem que ele ou ignora esse pedido ou fala para eles como se todos fossem crianças de seis anos a acabar de iniciar a catequese? Ou quantos voluntariam para participar em movimentos da paróquia, mas são deixados de lado porque as horas de reunião do grupo não coincidem com o seu horário de estudante ou trabalhador?

E este é o principal desafio que é colocado a este Sínodo, o de promover uma verdadeira mudança na abordagem da Igreja às problemáticas dos jovens. Não uma mudança nas intenções ou nos desejos, mas uma mudança nas ações que vá efetivamente no sentido de integrar os jovens, com a sua realidade, os seus desejos e anseios, dentro daquilo que é a mensagem de Salvação da Igreja, que tem dois mil anos e que não pode mudar.

Não tenho dúvidas que seja possível. Mas a exigência que isto coloca nos pastores, muitos deles agarrados a procedimentos, tradições só “porque sim”, a pequenos poderes, a ritos gastos ou a conceções erradas do que é a evangelização, é muito elevada, e nunca mudará caso não saia deste Sínodo uma mensagem tão forte como a que saiu do anterior Sínodo da Família. Mesmo com toda a polémica, a verdade é que a Igreja se virou, como secalhar nunca tinha feito, para olhar e para cuidar das famílias, e agora precisa de se voltar para os jovens, sem os quais não há qualquer hipótese de futuro na Igreja.

Para chegar aos jovens, muita coisa tem de mudar. E sabemos que é onde ela precisa de mudar mais que será mais difícil penetrarem todas e quaisquer conclusões que saiam destes dias de trabalho intenso em Roma. Perceber isto sem receios e ter a visão de ir mais além do que é esperado é o que desejam todos os jovens do mundo que estão de olhos postos neste Sínodo. Mas esclareça-se, para evitar já a crítica fácil a quem critica todas as mudanças, que a mudança não está nos conteúdos da mensagem. Essa resultou durante milhares de anos, não era agora que iria mudar. Mas aceitar que a mensagem não muda no essencial não é razão ou motivo para não mudar mais nada, porque entre a mensagem, o transmissor da mensagem e a forma como a mensagem é passada vai todo um mundo de diferença.

Os jovens sabem o quanto precisam da orientação da Igreja, e quem não sabe irá perceber, se a abordagem for a adequada, e irão saber o quão também eles precisam de mudar, se querem ser fiéis a um ideal que os conduzirá à felicidade e à salvação, que é tudo o que qualquer pessoa, mesmo os jovens, deseja.

Têm a palavra os bispos e outros participantes do Sínodo. Agora que ouviram, como irão agir?