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Vida nova depois da pandemia
23.03.2021
A pandemia de covid-19, que tem assolado o mundo desde o início de 2020, tem provocado mudanças e forçado alterações em muito do que é a nossa vida. Para as empresas tem sido um desafio difícil, e são muitas as que não tiveram alternativa, apesar dos apoios estatais, senão despedir alguns dos seus trabalhadores para procurar manter a viabilidade da empresa, o que tem levado a que muitas pessoas se vejam em casa, confinadas, e com a agravante de terem perdido os seus empregos.

O desafio que se coloca a quem perde o emprego e, em virtude da diminuição de atividade laboral em todo o país, se vê com dificuldade para encontrar novos empregos, é o de iniciar um negócio próprio.


A inspiração para tal surgiu a Bruno Silva e Débora Costa, namorados, durante uma volta de bicicleta pelo país. Dispensados da Avion Express, empresa de voos charter que operava na Polónia e Lituânia e depois de, nos primeiros meses de confinamento, terem visto os aviões «ficar sem bancos para dar lugar a caixotes de mercadorias», como nos conta divertida Débora Costa, regressaram a Portugal sem apoios ou perspetivas de nada. «No verão [de 2020] decidimos fazer uma volta de bicicleta à volta de Portugal. Saímos daqui e fomos até ao Gerês. Depois, fizemos a EN2 até Faro, de Faro viemos pela Costa Vicentina até casa. Quando estávamos no fim da viagem, percebemos que tínhamos de voltar à realidade», recorda Bruno Silva.

A primeira ideia foi inscreverem-se para serem motoristas numa empresa de transporte de passageiros, mas a meio do processo de inscrição apareceram os parrameiros, bolos tradicionais da zona de Mafra. «O Bruno disse que era boa ideia fazermos uns parrameiros, porque ele foi escuteiro e eles faziam muito isso. Eu nunca tinha ouvido falar em parrameiros, porque na minha zona depois descobri que se chamam ferraduras, mas alinhei na ideia», conta Débora Costa.
Foram recuperar a receita do tempo dos escuteiros e no primeiro fim de semana fizeram 300 parrameiros, colocaram em sacos de três e saíram porta a porta a vender, «e só parámos quando os vendemos todos». «Correu bem e partir daí todas as semanas começámos a fazer. Fomos vender porta a porta, batíamos e íamos explicando o que estávamos a fazer. Fizemos em Almeirim e em Mafra, nas nossas zonas, e depois as pessoas começaram a encomendar», recordam.


Em Portugal, a TAP também se viu obrigada a grandes cortes para se manter viável, e a primeira opção passou por dispensar os trabalhadores a contrato. Foi o caso de David Martins e Bruna Vieira, outro casal que se viu sem trabalho por causa da pandemia. «Ficámos desamparados, sem saber o que fazer, porque tínhamos o casamento marcado para outubro, íamos comprar casa, todo o início de vida que estávamos a preparar», recorda Bruna, que fala do «otimismo» de David como o ponto que a conseguiu tirar de um «loop depressivo» no qual estava a entrar. «Como estávamos sem saber o que se ia passar, ao início foi difícil conseguir desligar do que se passava à nossa volta. Eu sou um bocadinho mais pessimista, e o David é mais otimista. Eu estava a começar a entrar num loop de negativismo, a questionar tudo o que aí viria», conta Bruna Vieira.
Até que se deixaram influenciar pelos amigos, que começaram a pressionar para David colocar a render os seus dotes de cozinheiro. De ascendência goesa, a culinária corre-lhe no sangue. «A minha avó sempre foi cozinheira para os cafés e restaurantes. Acordava às cinco da manhã, cozinhava, fazia as chamuças e os croquetes, os chacutis, as massas e saía de manhã de autocarro, fazia as entregas e às 12h já estava em casa para ir descansar e fazer tudo de novo», conta David Martins, que foi pedir receitas às avós e tias para começar a cozinhar, primeiro para os amigos que tanto os foram “chateando”.
 
Texto: Ricardo Perna
 
Este é apenas um excerto do artigo. Leia toda a reportagem na FAMÍLIA CRISTÃ de março de 2021. Pode comprar a revista ou assiná-la clicando aqui.

 
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