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«Vivendo na doença, nunca foi um homem doente»
06.10.2021
O presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, emitiu uma nota de condolências pelo falecimento do Mons. Vitor Feytor Pinto, que faleceu hoje, dia 6 de outubro, vítima de doença prolongada. «Com a morte do Padre Feytor Pinto desaparece uma das figuras mais importantes da Igreja Católica Portuguesa nos últimos cinquenta anos», começa por afirmar o presidente no nota divulgada no site da Presidência.

Foto de Arquivo 
Marcelo Rebelo de Sousa sustenta que o Pe. Feytor Pinto, como gostava de ser conhecido, «não precisou sequer de pertencer à Hierarquia para ter influência decisiva em momentos essenciais da afirmação da mensagem cristã», e que a sua presença «em momentos cruciais da vida comunitária, desde os anos 70» permitiu «ajudar a estabelecer diálogos ecuménicos e a aplanar caminhos em paróquias, dioceses e plataformas de partilha».
 
O presidente recorda ainda «uma muito antiga amizade, que os anos mais recentes tornaram ainda mais forte, com o acompanhamento próximo da via crucis, feita de amor à vida e de capacidade de resistir e de se reinventar, que o Padre Vitor Feytor Pinto demonstrou até ao último minuto da sua presença entre nós».
 
Com a morte do Mons. Vitor Feyor Pinto, sucedem-se as reações de pesar. O Pe. José Manuel Pereira de Almeida, responsável pela Pastoral da Saúde, cargo anteriormente desempenhado pelo agora falecido sacerdote, fala de um homem com «grande esperança e entusiasmo». «Vivendo na doença, nunca foi um homem doente, o que tem alguma graça», referiu à Família Cristã.
 
O sacerdote refere que Mons. Feytor Pinto deixa «todo um património em que acompanhou o pontificado de João Paulo II nessa viragem entre uma pastoral fechada no doente para uma pastoral rasgada em termos do horizonte do que é a saúde». «Essa foi a grande viragem, em que ele também contribuiu a nível universal com o contributo que deu no Conselho Pontifício da Pastoral da Saúde», sustenta o presbítero lisboeta.

O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, falou à Rádio Renascença de um cidadão exemplar, cujo «serviço também foi requisitado pela sociedade civil em vários aspetos, desde a luta contra a droga e depois na defesa e promoção da vida». O patriarca de Lisboa diz que esteve com o sacerdote de 89 anos há dois dias, na Casa Sacerdotal, onde vivia e que o achou «muito fraco, mas não na convicção, antes pelo contrário, com palavras de muita fé, correspondendo a toda a sua vida, uma vida autenticamente cristã.»

O patriarca fala ainda da sua veia comunicadora. «Era um comunicador extraordinário, como sabemos. As suas missas, as suas pregações e outros encontros que fazia, quer antes, quer depois dos seus tempos no Campo Grande, eram seguidas por muita gente e depois com a internet, muitas mais.»

O padre Vítor Feytor Pinto era conhecido sobretudo pelo seu papel na Pastoral da Saúde e D. Manuel sublinha a coerência com que viveu também essa dimensão da sua vida. «Ele foi muito importante, não só no desenvolvimento como na incidência da Pastoral da Saúde como na pastoral da Vida, a favor da Vida. Claro que, como crente que era, a vida tinha fronteiras que ultrapassavam a morte.»

Quem também já reagiu foi a Direção Nacional da Associação Nacional dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP), organismo do qual o Mons. Feytor Pinto foi assistente, que endereçou «sentidas condolências à sua família e à comunidade paroquial de Campo Grande que durante tantos anos serviu». «Figura sempre próxima, disponível e presente, o padre Vítor Feytor Pinto deixou a sua marca pessoal e de pastor na AMCP, associação que serviu com zelo e dedicação desde inícios da década de 80 do século XX, em certo tempo como assistente espiritual nacional e nos anos mais recentes como assistente espiritual do Núcleo Diocesano de Lisboa», refere a associação.

Bernard Ars, presidente da Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos (FIAMC), enviou uma mensagem de condolências onde fala de Mons. Feytor Pinto como alguém que «celebrou os Sacramentos com fervor e acompanhou os médicos no seu trabalho, fazendo-os viver a mensagem de Jesus: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida"». «Em nome da Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos e em meu próprio nome apresento à sua família, aos seus mais próximos e aos seus confrades, que o conheceram bem, as minhas condolências cristãs e as minhas orações».


A Conferência Episcopal Portuguesa também lamentou a partida de um sacerdote que «foi um profundo conhecedor do espírito renovador do Concílio Vaticano II», e que, segundo este organismo, divulgou «os seus documentos com persistente entusiasmo e assertiva comunicação».

Os bispos portugueses, na sua nota, referem que «a família e a juventude sempre estiveram no seu horizonte evangelizador, sendo assistente nacional de várias associações e movimentos de caráter juvenil e familiar», e enaltecem a importância que teve a nível nacional e internacional dentro da Igreja Católica nos vários cargos que desempenhou. «Agradecemos ao Padre Vítor Feytor Pinto por nos legar uma vida cheia e dedicada à Igreja e a variados setores da vida da sociedade, e rezamos para que o Senhor o acolha na sua eterna paz», conclui a nota.




(Atualizado às 19h11 com as declarações da Conferência Episcopal Portuguesa e da Federação Internacional das Associações de Médicos Católicos)
 
Texto e Foto: Ricardo Perna
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