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Viver e morrer em pandemia: «Contágio» é novo livro de Jaime Nogueira Pinto
26.08.2020
Já está à venda o novo livro de Jaime Nogueira Pinto Contágios – 2500 anos de pestes. Em comunicado, a Dom Quixote informa que a obra «percorre dois mil e quinhentos anos de história, arte, literatura e ciência para contar como temos vivido e morrido em tempos de pandemia. Da peste negra, à gripe espanhola, passando pelo Ébola, até à SIDA ou ao Covid-19, o autor tenta perceber com as epidemias afetaram a Humanidade e as consequências políticas, sociais e culturais que trouxeram»



O livro sair em pleno ano de nova pandemia não é coincidência, claro. «Este ano de 2020 – e a data tem tudo para fascinar os cabalistas e os cabalísticos – ficará como um novo Ano da Peste, como 1348 para a Europa tardo‑medieval, 1665 para a Londres da Restauração e 1918 para o mundo pós‑Grande Guerra. Anos de peste, de pragas, de epidemias, de pandemias, de incertezas, de medos, de inseguranças», lê-se no livro.

Jaime Nogueira Pinto recorreu a fontes histórias diversas, como por exemplo, o Livro do Apocalipse, a peça Édipo Rei, os estudos médicos de Galeno, a pintura Danças Macabras de Bernt Notke, o poema Nós, de Cesário Verde, ou o filme Philadelphia, com Tom Hanks». Além da cronologia das principais epidemias dos últimos 2500 anos, faz-se também o balanço das consequências políticas, sociais e culturais.

Como se pode ler no livro, «os contágios político‑ideológicos vieram no meio dos contágios da peste e encontraram no caos da pandemia um meio propício. E em certo sentido, sempre assim foi: as pestes sempre abalaram, influenciaram, condicionaram e muitos governantes, governos e regimes políticos foram julgados pelos povos em função do modo como lidaram com as pandemias. Agora não será diferente – nos regimes em que tal juízo e julgamento sejam feitos em liberdade. Por isso, os líderes das potências que aspiram à hegemonia mundial cruzam acusações. Este é também um tempo em que ao radicalismo da Esquerda responde um radicalismo à Direita, que é também uma rebelião votante das massas populares contra a ordem político‑cultural reinante. Esta versão gramsciana da luta de classes, em que as armas são o uso e abuso da manipulação da informação generalizou‑se: nas notícias, as contagens dos mortos da Covid‑19 nos Estados Unidos, no Brasil ou no Reino Unido são dadas para que os leitores, ouvintes ou espectadores sintam que cada morto é vítima mais ou menos directa das políticas erradas, reaccionárias e proto‑fascistas de Trump, Bolsonaro ou Boris Johnson. No lado oposto, imputam‑se os mortos ao "vírus chinês" ou a uma conspiração da grande oligarquia mundialista, numa aliança secreta e diabólica entre marxistas culturais e capitalistas mundiais, para impor ao mundo uma nova ordem.»

Jaime Nogueira Pinto é licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa e doutorado pelo ISCSP. Foi diretor do jornal O Século, administrador da Bertrand e trabalha na área de consultoria estratégica, além de ser presidente da FLAC – Fundação Luso-Africana para a Cultura. Habitualmente escreve em órgãos de comunicação social sobre temas relacionados com Ciência Política e História Contemporânea.
Texto: Cláudia Sebastião
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